segunda-feira, 14 de dezembro de 2009



Diferenças Chile e Argentina

WALTER GALVÃO


Os dois países produzem vinhos da melhor qualidade. A vizinhança, no entanto, não impede grandes diferenças. Saiba quais são. Quem explica é o enólogo Eduardo Silva, de Maringá (PR).




O lugar dos rosados

WALTER GALVÃO


A época convida à confraternização, e nada mais adequado do que incluir, entre as opções para a temporada, os rosados. A graça desse vinho está no seu caráter simbólico de ponte, de intermezzo, de passagem entre o tinto e o branco.

Os sábios que pensam vida e personalidade dos vinhos dizem que os rosados favorecem a reflexão sobre a profundidade, a persistência dos aromas e a robustez dos taninos que os tintos propõem e sobre a claridade solar, a leveza presentes nos brancos.

Muitos fecham questão, no entanto: os rosados favorecem pensar sobre... os rosados. São vinhos autônomos. Na medida em que a casca da uva é retirada, que a maceração acontece em curto período (dependendo da cor que se pretende obter), surge então uma nova estrutura orgânica que oferece sabores específicos e todos os estímulos decorrentes das sensações que o processo de vinificação garante.

Mas já falei demais, e o objetivo aqui é homenagear Saul Galvão, mestre de mestres, que nos deixou fisicamente este ano, mas que deixou uma obra à qual devemos recorrer.

Leia clicando aqui um post interessante a respeito dos rosados na Espanha.

sábado, 12 de dezembro de 2009


O último vinho da vida
WALTER GALVÃO

Ao se despedir do time de blogueiros da "Veja", em setembro, o mestre Roberto Gerosa postou interessante provocação aos desejos mais íntimos dos amantes do vinho.

Registrou a escolha de personalidades que são referências internacionais caso fossem submetidas à ultima garrafa da vida.

Reproduzo abaixo o post que é repleto de indicações fenomenais.




"É quase inevitável. Toda entrevista com grandes críticos e especialistas invariavelmente termina com uma pergunta clássica: Qual o vinho que escolheria para tomar se esse fosse o último de sua vida?
Eu mesmo já perpetrei este desafio sem imaginação para o elegante autor, Hugh Johnson. É sempre curioso saber o que pensam aqueles que já provaram de tudo e são referência para os apreciadores da bebida. Melhor ainda é deixá-los em uma sinuca de bico. Abaixo, três famosos críticos revelam a sua preferência:

Hugh Johnson — Seria uma das minhas raras garrafas de antigo Tokay (um branco doce da Hungria). Ele tem todas as qualidades que fazem que o vinho seja um assunto tão rico: profundidade, intensidade de sabor, vitalidade, singularidade e história.

Robert Parker – Provavelmente um dos vinhedos do Guigal, um produtor da região do Rhône. Talvez um La Mouline ou um Petrus 1947 ou um Cheval Blanc 1947. Nasci em 1947, um ano de ótima colheita no Pomerol e em Saint-Émilion, duas sub-regiões de Bordeaux.

Jancis Robinson - Um vinho madeira Cossart Bual da safra de 1908 (U$ 824,00 no site Peter Wylie Fine Wines) seria uma ótima opção".


Experiência positiva

WALTER GALVÃO

Two Oceans, Shiraz, 2007. Encontro que promoveu e resgatou alegria, positividades, frescor e equilíbrio corpóreo com esse vinho da África do Sul.

Uma proposta interessante de equilíbrio, um varietal que apresenta plena competitividade internacional, relacionando-se com respeito e personalidade com o que de melhor é produzido na Califórnia, no Brasil, na Argentina e também no Chile.

Nos anos 1990, a África do Sul impôs-se no meio enquanto opção de gosto, proposta de padrão e normalização para a conquista dos amantes.

Produziu diamantes e produz para mentes atentas.

Este vinho jovem é produzido na região costeira, em Stellenbosch. Beneficia-se de sopros oceânicos que interferem positivamente no ciclo vital da uva.

Apesar da juventude, presta-se à apreciação dispensando-se aclimatação artificial mesmo em regiões mais quentes (há quem discorde totalmente dessa minha visão), mantendo-se as características da uva com seus aromas de frutas vermelhas. A viscosidade é média. Um vinho aromático, sem muita complexidade, mas capaz de impressionar pelas sensações provocadas: leveza, travo estimulante, presença persistente na boca.

Um ótimo custo benefício. Preço entre R$ 18 e R$ 22.


terça-feira, 17 de novembro de 2009



Vinhos de altitude são tema
de debate em Florianópolis


Nos dias 3 e 4 de dezembro de 2009 Florianópolis sediará o IV Simpósio Catarinense de Vinhos Finos de Altitude, que acontece no CentroSul. O evento, realizado pelo Sebrae/SC em parceria com a Acavitis - Associação Catarinense de Produtores de Vinhos Finos de Altitude -, Epagri e Embrapa Uva e Vinho, apresentará uma programação focada em temas importantes para o atual estágio de desenvolvimento do Programa Catarinense de Vinhos Finos de Altitude.
O Simpósio, que pela primeira vez acontece fora de São Joaquim, deve reunir cerca de 250 pessoas, entre técnicos, empresários e estudantes.

Programação



O Simpósio terá quatro palestras e um painel. Segundo Acari Amorim, Diretor de Marketing da Acavitis, “o evento surgiu para proporcionar uma troca de experiências, principalmente na área técnica”. Assim, serão promovidos debates e reflexões sobre questões relativas aos desafios competitivos do mercado de vinhos e o potencial enoturístico como propulsor do desenvolvimento das regiões envolvidas. Para José Fernando da Silva Protas, da Embrapa Uva e Vinho/ Epagri, “toda a abordagem do Simpósio será convergente e mostrará os caminhos que deverão orientar um grande projeto de enoturismo no Estado de Santa Catarina”.


Para abordar estes temas, um dos palestrantes confirmados é o chileno Mario Geisse, que é diretor técnico da Casa Silva (Chile) e diretor presidente da Cave de Amadeu (Brasil). Ele vai falar sobre como competir e vencer com nossos vinhos no Mercado Vitivinícola Mundial. Já o Dr. Luiz Antelo, da Fundación AUTAPO, da Bolívia, vai apresentar o case dos vinhos de altitude de uma região boliviana com grande tradição de vinhos e destilados.


A francesa Yvelise Sciard, do Conseil Interprofessionnel dês Vins d’Alsace, na França, apresentará o programa de enoturismo francês, para que sirva de exemplo ao estado catarinense. Além dos palestrantes internacionais, mais quatro profissionais apresentarão assuntos relacionados a atual situação dos vinhos de altitude de Santa Catarina.Outro ponto forte do evento será um jantar harmonizado com vinhos finos de altitude de Santa Catarina, comentado pelo sommelier João Lombardo.

Saiba mais sobre a Acavitis

A Acavitis, representada pelas regiões produtoras de São Joaquim, Caçador e Campos Novos, foi fundada em seis de novembro de 2005 para defender os interesses dos produtores de uvas e vinhos de altitude em Santa Catarina. A entidade busca dar subsídios às políticas públicas e viabilizar a qualificação e certificação dos produtos de seus associados, a fim de conquistar novos mercados para o vinho de altitude produzido em Santa Catarina.
A entidade, com sede no município de São Joaquim, abrange todo o estado catarinense, mas é representada pelas três regiões produtoras que juntas somam 310 hectares implantados de uvas vitiviníferas em altitudes que vão de 900 a 1400 metros. Toda essa área é dividida entre 42 associados e 160 produtores que têm empreendimentos individuais e conjuntos - como cooperativas e empresas - e produzem anualmente 500 mil garrafas de vinhos Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Pinot Noir e Sangiovese, Chadonnay e Sauvignon Blanc. A expectativa da Acavits é de que nos próximos três anos a produção chegue a dois milhões de garrafas.

domingo, 15 de novembro de 2009




O Novo Mundo está mudando o Mundo do Vinho?


PAULO QUEIROZ
Como qualquer outra bebida o vinho tem diferentes frentes de opinião e gostos. Mas esta em especial é talvez a mais variada das bebidas. Um mínimo detalhe no clima, no solo, na casta, no plantio, na fermantação, no armazenamento e pronto, o vinho muda e cria uma personalidade própria. É esta variedade que torna o mundo do vinho tão interessante e que cria um mercado tão vibrante por milênios.

Mas nos últimos anos, diria 20 anos, os críticos e as revistas especializadas tem criado a “imagem do vinho ideal”, ou do “vinho super pontuado” e com isso vêem sugerindo um novo modelo para o que se chama de vinho de classe mundial.

Sobretudo o chamado Novo Mundo, onde se destaca o Chile, Austrália, Nova Zelândia, mas também estão Argentina e nosso Brasil; tem se esforçado por criar vinhos que tem alguns componentes claros: Tintos, encorpados, varietais, muita madeira e uma busca pelas chamadas vinhas velhas que oferecem enorme concentração.

Mas esse tipo de vinho que faz tanto sucesso nos rankings e que ganha preço nos mercados está sendo imitado no velho mundo, recentemente até em Portugal e na França. O que é isso?

Eu também gosto deste tipo “classe mundial” mas nem sempre. Gosto de variar, de poder experimentar coisas diferentes e tão valorizadas quanto um Clos Apalta. O que diria de um esplendoroso Barolo, ácido, elegante, com madeira refinada e muito mais leve que os vinhos do Chile. E um Pinot Noir da Borgonha, digo um autêntico, leve, frutado e com muita framboesa. Mesmo alguns Grand Cru Classé de Bordeaux, com madeira leve, mas muitos toques de especiarias e um perfume esplendoroso. Poderia falar também dos maravilhosos vinhos de Siena, os Brunellos de Montalcino, tão criticados pelos escândalos do ano passado, mas que mesmo leves nos dão tanto prazer.

Finalmente ressalto os Chiantis, com o furor tânico da Sangiovese e os Super Toscanos de Bolgheri, que simulam os Bordeaux mas trazem aquele sotaque inigualável da Toscana. (Reproduzido de Nosso Vinho)